Carta do Fundador · versão 1.0 · aprovada em 23 de setembro de 2026
Carta aberta aos futuros clientes da Saen
Se você considera trabalhar com a Saen, precisa saber mais do que aquilo em que acreditamos.
Precisa entender como analisaremos sua empresa, quem participará das decisões, o que será entregue, quais responsabilidades permanecerão com sua equipe e como determinaremos se o trabalho produziu resultado.
Esta carta estabelece os dez princípios que devem orientar qualquer projeto realizado pela Saen.
A identidade da empresa será tratada como parte do diagnóstico
Toda empresa possui uma história, uma proposta original e escolhas que explicam por que ela existe. Essas informações não serão tratadas como um exercício abstrato de propósito.
No início do projeto, a Saen deverá entrevistar o responsável pela empresa e as lideranças diretamente relacionadas ao problema, analisar os materiais existentes e identificar:
quais objetivos continuam relevantes;
quais características da empresa precisam ser preservadas;
quais práticas atuais contradizem esses objetivos;
quais decisões anteriores ainda condicionam a operação;
quais restrições financeiras, operacionais ou societárias precisam ser respeitadas.
O resultado será registrado em critérios objetivos para orientar o projeto. A identidade da empresa não servirá como justificativa para manter práticas ineficientes, mas também não será descartada para aplicar um modelo genérico.
A experiência do cliente será analisada como resultado da operação
A Saen não tratará problemas de experiência do cliente apenas como falhas de atendimento ou comunicação.
Serão acompanhadas ocorrências reais, desde o primeiro contato até a conclusão da compra, entrega, prestação do serviço ou resolução do problema. A análise poderá envolver vendas, atendimento, logística, fornecedores, tecnologia, financeiro e pós-venda.
Dependendo do negócio, deverão ser medidos indicadores como:
tempo total de atendimento e resolução;
quantidade de contatos necessários por ocorrência;
erros, devoluções, cancelamentos e reentregas;
reclamações por volume de pedidos;
cumprimento de prazos;
resolução no primeiro contato;
conversão, recompra e perda de clientes;
custo operacional de falhas e retrabalho.
A prioridade não será apenas responder mais rápido, mas identificar onde o processo falhou, quem poderia ter decidido e o que precisa mudar para evitar a repetição.
Pessoas, responsabilidades e autoridade serão analisadas em conjunto
Problemas de desempenho não serão atribuídos automaticamente à falta de treinamento ou comprometimento.
A Saen verificará se as pessoas envolvidas possuem:
responsabilidades claramente definidas;
informação suficiente para executar o trabalho;
autoridade compatível com as decisões exigidas;
recursos e capacidade operacional;
critérios para priorizar demandas;
orientação da liderança;
mecanismos de acompanhamento e correção.
Participarão dessa análise o responsável pelo projeto, os gestores das áreas envolvidas e uma amostra das pessoas que executam o processo diariamente.
As mudanças poderão incluir redefinição de funções, limites de decisão, rotinas de gestão, treinamento, dimensionamento de capacidade e critérios de escalonamento.
A estratégia será convertida em decisões, responsáveis e prazos
Uma recomendação não será considerada implementável enquanto não estiver associada a:
uma decisão claramente formulada;
um responsável com autoridade para executá-la;
recursos necessários;
prazo;
dependências entre áreas;
riscos;
indicador de acompanhamento;
critério para continuar, ajustar ou interromper a iniciativa.
A direção da empresa continuará responsável pelas decisões empresariais. A Saen será responsável pela qualidade da análise, pela estruturação das alternativas, pela coordenação acordada e pelo acompanhamento da implementação dentro do escopo contratado.
Cada projeto deverá possuir uma rotina de acompanhamento com decisões registradas, pendências, responsáveis e datas.
A solução será desenvolvida para o contexto específico da empresa
Referências de mercado, metodologias e práticas de outras organizações poderão ser utilizadas como instrumentos de análise. Elas não serão copiadas automaticamente.
Antes de recomendar uma solução, serão considerados:
setor e modelo de receita;
perfil dos clientes;
tamanho e maturidade da operação;
competências disponíveis;
estrutura de custos e margem;
tecnologia existente;
capacidade de investimento;
riscos regulatórios e operacionais;
velocidade possível de implementação.
Quando houver incerteza relevante, a solução deverá ser testada inicialmente em escala limitada — por produto, unidade, região, processo ou tipo de cliente — antes de uma expansão maior.
Toda iniciativa deverá demonstrar sustentabilidade econômica
Melhorias operacionais ou de experiência precisam ser compatíveis com a realidade financeira da empresa.
A avaliação econômica poderá incluir:
investimento necessário;
custo de implementação e manutenção;
impacto esperado sobre receita, margem e caixa;
redução de retrabalho, perdas ou cancelamentos;
utilização de capacidade;
prazo para obtenção dos benefícios;
riscos e sensibilidade das premissas.
Não serão apresentados retornos financeiros sem base de cálculo identificável.
Quando ainda não houver dados suficientes, a primeira etapa será estabelecer a linha de base. As metas quantitativas deverão ser definidas com a direção da empresa, registrando indicador, fonte dos dados, valor inicial, valor pretendido, prazo e responsável.
Recomendações serão sustentadas por evidências e limitações explícitas
O papel da Saen não é confirmar opiniões previamente estabelecidas.
Fatos verificados, estimativas, hipóteses e opiniões deverão ser apresentados separadamente. A recomendação deve informar:
quais dados foram utilizados;
quais informações não estavam disponíveis;
quais premissas foram adotadas;
quais alternativas foram consideradas;
quais riscos podem alterar o resultado;
qual decisão está sendo recomendada e por quê.
Quando uma necessidade estiver fora da competência da Saen, esse limite será comunicado. Se necessário, profissionais especializados poderão ser envolvidos com responsabilidades claramente definidas e aprovação do cliente.
O trabalho será realizado com participação definida do cliente
A Saen não substituirá o conhecimento operacional da empresa nem assumirá decisões que pertencem aos seus administradores.
No início do projeto, deverão ser definidos:
patrocinador executivo;
responsável interno pelo projeto;
gestores e áreas participantes;
responsabilidades da Saen;
responsabilidades da empresa;
frequência das reuniões;
decisões que exigem aprovação;
forma de acesso a dados e pessoas;
tratamento de informações confidenciais.
A falta de participação, dados ou autoridade para executar decisões será registrada como risco do projeto, porque esses fatores afetam diretamente a viabilidade da implementação.
O projeto deverá deixar capacidade operacional instalada
A entrega não deverá se limitar a um diagnóstico ou apresentação.
Conforme o escopo, a transferência poderá incluir:
processos e responsabilidades documentados;
critérios de decisão;
indicadores e painéis;
rotinas de gestão;
materiais de treinamento;
testes realizados;
registro das mudanças;
responsáveis pela continuidade;
plano de acompanhamento posterior.
Antes do encerramento, a empresa deverá demonstrar que consegue executar o novo padrão sem intervenção cotidiana da Saen.
A dependência permanente da consultoria será tratada como falha de transferência, não como sinal de sucesso comercial.
O resultado será avaliado em dimensões definidas antes da implementação
Cada projeto deverá estabelecer indicadores compatíveis com o problema analisado. Eles poderão ser organizados em quatro dimensões:
Cliente: conversão, reclamações, resolução, prazo, recompra, cancelamento ou perda.
Operação: produtividade, erros, retrabalho, capacidade, tempo de ciclo e cumprimento do processo.
Pessoas: clareza de responsabilidades, autonomia, adesão ao novo padrão, capacidade e estabilidade da equipe.
Economia: receita, margem, custos, caixa, perdas evitadas e retorno sobre o investimento.
Nem todos os projetos utilizarão todos esses indicadores. A seleção dependerá da decisão em análise e da disponibilidade de dados.
Entretanto, nenhum projeto deverá começar sem definir como seu resultado será observado. A proposta comercial deverá informar o escopo, os responsáveis, o cronograma e a forma de medição. Quando uma meta numérica depender do diagnóstico, isso será declarado, em vez de utilizar um número arbitrário apenas para tornar a promessa mais atraente.
Meu compromisso como fundador
Meu compromisso é conduzir a Saen com independência analítica, responsabilidade profissional e participação direta nos projetos assumidos pela empresa.
Não considero um documento entregue como sinônimo de problema resolvido. Também não considero prudente prometer resultados antes de compreender os dados, as restrições e a capacidade de execução de cada organização.
O cliente poderá esperar clareza sobre o que sabemos, o que ainda precisa ser verificado, o que recomendamos, quanto deverá ser investido, quem será responsável e como acompanharemos o resultado.
Em contrapartida, esperaremos da direção da empresa acesso às informações necessárias, disponibilidade para tomar decisões e participação efetiva na implementação.
É dessa combinação que a Saen pretende construir empresas mais consistentes, mais confiáveis para seus clientes e mais preparadas para crescer.
Eduardo Mazzonetto Fundador da Saen